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segunda-feira, 25 de março de 2013

EXPOSIÇÃO: ESPEDITO SELEIRO - DA SELA À PASSARELA


quarta-feira, 20 de março de 2013

53 anos do “Dia Internacional contra a Discriminação Racial”


 Fonte: Site Amaivos (trechos)


21 de março de 1960.  Há cinquenta e tres anos o mundo viu dezenas de mulheres e crianças sucumbirem a tiros por policiais durante o regime do apartheid, no bairro Shaperville, em Johannesburg , capital da África do Sul. O fato ocorreu durante os protestos pacíficos contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a andar com cartões de identificação que estabeleciam os limites entre os locais de acesso permitido e as zonas proibidas.  Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Este fato ficou conhecido como o “Massacre de Shaperville”. Foi em memória a essa tragédia que a Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu o dia 21 de março como o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”.  A intenção da Assembléia Geral da ONU, com esta Resolução 2142 (XXI), de 26 de outubro de 1966, era a de instar a comunidade internacional a redobrar seus esforços para eliminar todas as formas de discriminação racial, consciente de que aquele fato, em Shaperville, não era isolado do contexto do racismo ainda vigente em toda e qualquer parte do planeta











Quanto de racismo temos por aqui... ainda...
Apesar da evidencia histórica sobre a fragilidade da igualdade racial no país há ainda quem afirme que o Brasil não pode ser considerado um país racista, justo porque não há “evidências” de formação de grupos declaradamente essencialistas, e que um país só é racista se houver grupos racistas. No entanto ainda não há uma explicação tão palpável quanto a não presença de indivíduos negros na fina elite (econômica e intelectual) brasileira. Estas pessoas também não atendem ao que se convencionou como “boa aparência” nos currículos das grandes empresas, e segundo os dados da controversa ONU, divulgados no PNUD de 2005, quanto mais se avança rumo ao topo das hierarquias de poder, mais a sociedade brasileira se torna branca. Isto remete ao que a intelectual Lélia Gonzalez já chamava atenção na década de 80 do século passado.
Racismo? No Brasil? Quem foi que disse? Isso é coisa de americano. Aqui não tem diferença porque todo mundo é brasileiro acima de tudo, graças a Deus. Preto aqui é bem tratado, tem o mesmo direito que a gente tem. Tanto é que, quando se esforça, ele sobe na vida como qualquer um. Conheço um que é médico; educadíssimo, culto, elegante com umas feições tão finas... Nem parece preto.
Notoriamente não há como dissociar a questão racial das questões que envolvem saúde, emprego, formação escolar, violência, seguridade social entre tantas outras coisas, posto que a estes setores configuram o perfil da sociedade brasileira. Ainda pelos indicadores do PNUD, o Brasil ocupa o 73° lugar no ranking do IDH (índice de desenvolvimento humano, elaborado pela ONU).  Este estudo, contudo, indica também que, se as populações brancas e negras representassem países diferentes, as posições também seriam distintas, chegando à discrepância de 61 posições entre os dois grupos. Pela análise o Brasil de maioria “branca” ficaria em 44° lugar no ranking, junto a países como a Costa Rica enquanto a parcela de maioria “negra” ficaria 105° lugar abaixo de países como o Paraguai, por exemplo.
 






terça-feira, 19 de março de 2013

Obama inaugura construção de museu afro-americano


DA FRANCE PRESSE
O presidente Barack Obama inaugurou em 23 de fevereiro,  a construção do Museu Nacional de História e Cultura Afro-americano em Washington e desejou que a tragédia e o progresso da comunidade negra formem parte importante da história dos Estados Unidos.
"Nesses momentos penso nas minhas filhas e nos filhos de vocês (...) penso no que quero que sintam", disse o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, durante a cerimônia em que colocou a pedra fundamental do museu, cuja inauguração está prevista para 2015 no "National Mall" da capital americana.
"Quero que minhas filhas vejam as correntes que levavam os escravos durante sua viagem através do oceano e os estilhaços de vidro que voaram da igreja batista da rua 16", local do atentado que deixou quatro adolescentes negros mortos em Birmingham (Alabama) em 1963, em plena luta pelos direitos civis, acrescentou Obama.
"Quando as gerações futuras escutarem esses cantos de dor, de progresso, de luta e de sacrifício, espero que não os vejam, de uma maneira ou de outra, como algo separado da história americana de forma geral. Quero que os vejam como centrais, como parte importante de nossa história compartilhada", disse o presidente.
Até agora só há um pequeno museu sobre a comunidade afro-americana na periferia de Washington. O futuro museu será construído em dois hectares próximos ao obelisco em homenagem a George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, ele mesmo proprietário de escravos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

OS CRESPOS NO PROGRAMA NEGROS EM FOCO


Fonte e foto : Carlos Romero

 A Cia. de Teatro Os Crespos completa 8 anos de atividades na cidade de São Paulo e abre sua história no Negros em Foco.
Os atores Sidney Santiago e Lucélia Sérgio falam sobre questões raciais, afetividade, ativismo, produção cultural negra e muito mais. Imperdível!
Neste sábado, 16 de março, em São Paulo na TV Aberta (Canal 9 da NET, TVA Analógica Canal 99/72 e TVA Digital no canal 186), às 18h30.
Da esquerda para a direita:
Lucélia Sérgio ( atriz), Rejane Romano ( apresentadora) e Sidney Santiago (ator)





ELZA SOARES CONVIDA GABY AMARANTOS - "DEIXA A NEGA GINGAR"

Foto: divulgação

Elza Soares vai misturar o sotaque carioca com o tempero paraense  nos próximos dias 17 de março  (domingo)  no Sesc Interlagos e  19, 20 e 21 no Sesc Pinheiros em São Paulo. Gaby Amarantos é uma das convidadas do show Deixa A Nega Gingar, que a cantora irá apresentar nessas datas.
“A mistura dos nossos ritmos, como o arroz e feijão, deixou o público nacional e internacional com água na boca. Foi uma experiência marcante tanto para o público quanto para nós. E as críticas são bem positivas”, disse Elza sobre a parceria também inusitada com sua nova banda.
O repertório do show em parceria será composto por hits das duas cantoras, como “Chove Chuva”, “Nega Do Cabelo Duro”, “Malandro”, “Meu Guri”, “Ex My Love”, “Xirley”, entre outras. Os ingressos custam até R$32.




Serviço:

Elza Soares e Gaby Amarantos
SESC INTERLAGOS
Te.: 5662-9500
Dia 17 de março às 15 h
Gratuito para comerciários

SESC PINHEIROS  
Tel.: 3095-9400
Dias: 19, 20 e 21 de março
Horário: 21h
Ingressos: de R$ 8 até R$ 32
Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo – SP


Confira um pouco do show ‘Deixa a Nega Gingar’:

quarta-feira, 6 de março de 2013

MELANINA ACENTUADA DEBATE: Transposição de narrativas - literárias para a dramaturgia negra.

 Prof. Dr. Luiz Silva 'CUTI"



O projeto idealizado pelo dramaturgo Aldri Anunciação, vai em direção similar ao discurso defendido por
Abdias Nascimento ao dar visibilidade a jovens autores, dramaturgos negros, por meio de espetáculos e leituras dramáticas e também por criar um espaço de debates em que obras e pensamentos criados por autores negros são refletidos e problematizados.
Este projeto ocupará o espaço do Teatro de Arena Eugênio Kusnet ate o dia 07 de abril de 2013, e os debates acontecem às quartas-feiras à partir das 19 horas.
Hoje, 06 de março, tive a oportunidade de estar presente, e assistir à palestra do Prof. Dr. Luiz Silva
"CUTI" (UNICAMP), cujo tema foi Transposição de narrativas - literárias para a dramaturgia negra.

CUTI  formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura e Doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem - UNICAMP (1999-2005).  Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros , de 1978 a 1993. Autor dos livros "Literatura negro-brasileira" e "Lima Barreto" (Selo Negro Edições).

O próximo debate será dia 20 de março, tema Questões para Uma Dramaturgia Afro-brasileira, com o Prof. Dr. José Fernando de Azevedo (EAD/ECA/USP), vale à pena marcar presença.




























Sidney Santiago Kuanza (ator, produtor)

terça-feira, 5 de março de 2013

DIA DE PRETO : HOJE 05 DE MARÇO NO CANAL BRASIL




Na época da escravidão, todo dia era "dia de preto" no Brasil. Mas, em algum lugar do passado, houve um "dia de preto" mais importante que todos, quando um dos escravos se tornou o primeiro negro livre do País. Essa lenda é o pano de fundo da saga de um jovem trabalhador nos dias de hoje, na eterna busca pela liberdade.

Numa fábula moderna, o preto agora é o motorista de uma rica família, envolvido com a filha de seu patrão no roubo de uma relíquia sagrada. Perseguido pelo noivo da moça e seus capangas, ele passa uma madrugada alucinante pelos corredores de um shopping center, enfrentando uma série de personagens bizarros.

Ao fim de uma jornada de vida e morte, nosso herói acaba aprendendo algumas verdades sobre a liberdade, e que algumas histórias nunca terminam.


  Karin Kulnig, Daniel Mattos, André Ramiro, Ana Carolina Monteiro de Barros e Marcos Felipe Delfino.





Elenco: Marcelo Batista, Vanessa Galvão, Guilherme Almeida, Paulo Abreu, Ricardo Bonaverti, Raul Ferreira, Andrea Cassali, Deivid Araújo, Heráclito Junior e Naiara Hawaii.

Elenco de Apoio: Ravena Kulnig, Marcial Renato, Karin Kulnig, Antonio, Gabriel Fonseca, Gustavo Nasr, Daniel Mattos, Leandro Mathielo, Anna Carolina Monteiro de Barros e Nina Barros.

Trilha Musical: V12 Music - João Viana, Nado Zicker e Denis Porto

Direção de Arte e Figurino: Karin Kulnig
Direção de Arte e Cenografia: Claudão
Caracterização Séc. XX: Kris Kulnig
Caracterização "Vaca": Betty Baumgarten

Assistentes de Direção: Leandro Baseggio e Marcos Herdade
Assistentes de Produção: Adriana Gaspar e Renata Alves
Assistente de Câmera: Leandro Mathielo

Pilotos de Cena: Marcos Valverde, Marcos Felipe e Marcel Passos

Desenho de Som: Marcos Felipe e Daniel Mattos
Edição de Imagem e Som: Marcos Felipe
Programação Visual: Sergio Campante

Direção de Fotografia: Gustavo Nasr e Marcos Felipe

Produção Executiva: Marcial Renato, Daniel Mattos, Marcos Felipe e Anna Carolina Monteiro de Barros

Apoio: RIOSHOPPING, RICA ALIMENTOS, MATTEDI

Produtores Associados: Mario Nakamura e Ursula Wetzel

Escrito, dirigido e produzido por Marcial Renato, Daniel Mattos e Marcos Felipe.



domingo, 3 de março de 2013

Filme Menina Mulher da Pele Preta


  O episódio “Jennifer” traz a história de jovem de 17 anos com crise de identidade



 Existe uma fala do Professor Kabengele Munanga que acredito ir de encontro a proposta deste Episódio do Longa Metragem Menina Mulher da Pele Preta:

Carta Capital: Quem não assume a descendência negra introjeta o racismo?

Kabengele Munanga: Isso tem a ver com o que chamamos de alienação. Por causa da ideologia racista, da inferiorização do negro, há aqueles que alienaram sua personalidade negra e tentam buscar a salvação no branqueamento. Isso não significa que elas sejam racistas, mas que incorporaram a inferioridade e alienaram a sua natureza humana.

Assim sendo, o Longa Metragem "Menina Mulher da Pele Preta" é um projeto em andamento. Dividido em 5 episódios, o episódio 02 intitulado Jennifer foi filmado e realizado como média metragem. Viabilizado pelo PROAC/ICMS, VAI e Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, este episódio foi produzido pela ODUN FORMAÇÃO E PRODUÇÃO.

Sinopse do Episódio 2:

Jennifer, uma garota de 17 anos moradora da Vila Nova Cachoeirinha, manipula suas fotos no Photoshop para ficar mais bonita e mais clara com cabelos lisos. Num momento de sua vida em que se torna adulta, procura emprego, procura se relacionar com alguém que ela ame, Jennifer vive dilemas relativos a sua identidade numa sociedade que está calcada nos significados de branquitude.










O realizador audiovisual Renato Candido é cineasta formado pela ECA/USP e mestre em Ciências da Comunicação pela mesma instituição. Suas produções audiovisuais se fundamentam no recorte racial e no entendimento das relações raciais no nosso Brasil. Renato Candido é professor de Audiovisual em Faculdades, Projetos Culturais e Escolas de Cinema, além disso atua em diversas áreas do audiovisual seja realizando ou lecionando.







sábado, 2 de março de 2013

A VIDA DE FELLA KUTI NO TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET





Por: Aldri Anunciação 
 
"Arena em Atividade! Programação Fantástica de Março e Abril da Ocupação do Teatro de Arena - SP"





A biografia de Fela Kuti será contada de 28 de fevereiro até 17 de março no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Rodrigo dos Santos encarna o músico em um espetáculo visual e musical.
Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada - Ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, fazendo repensar a dramaturgia afrodescendente no Brasil.

Música e Vida de Fela Kuti formam matriz de criação de uma Dramaturgia Negra em O Subterrâneo Jogo do Espírito


O SUBTERRÂNEO JOGO DO ESPÍRITO é um espetáculo solo, inspirado na música e na vida de Fela Kuti (1938 - 1997). Fela Anikulapo Kuti foi músico e ativista político nigeriano. Inventor do movimento cultural e musical Afrobeat, combateu os abusos da ditadura militar e do governo civil em seu país, utilizando como arma sua música - uma combinação de ritmos afro-americanos, como o soul, o funk, o jazz, com elementos musicais tradicionais de seu país. Na verdade, Fela foi muito mais que um músico: profeta, político, pensador, multi-instrumentista, dançarino, compositor, revolucionário.

A dramaturgia foi elaborada livremente a partir dos fatos ocorridos na vida do próprio Fela. Em nossa história, apresentamos o personagem no momento em que ele retorna à Nigéria depois de uma turnê pelos EUA, onde conquista uma nova consciência política, influenciado pela ideologia dos Panteras Negras e pela biografia de Malcolm X. Numa relação direta com o público, que se torna parte integrante na realização do espetáculo, o ator explora os temas que foram objeto da crítica e do louvor de Fela ao longo de sua vida: a política do governo nigeriano, a política das multinacionais, o imperialismo, corrupção, religião, culturas tradicionais, a morte, a música, o afrobeat, pan-africanismo e negritude.


O espetáculo conta com a potência de algumas composições de Fela Kuti. A preparação corporal, a coreografia e o desenho de luz complementam o trabalho, criando o corpo e as formas do espetáculo, com o objetivo de reproduzir em cena o espírito dos shows que Fela apresentava em sua casa noturna na Nigéria, o Afrika Shrine.

Concebido, escrito e interpretado pelo ator Rodrigo dos Santos, O SUBTERRÂNEO JOGO DO ESPÍRITO é fruto de uma pesquisa sobre a relação entre realidade e ficção no espetáculo teatral e trata, principalmente, de uma forma criativa, da influência que o afrobeat de Fela Anikulapo Kuti exerce sobre a vida e a formação artística do ator carioca.

A montagem integra a mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada, projeto vencedor do edital de Ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet FUNARTE São Paulo 2012. O projeto idealizado pelo dramaturgo e ator Aldri Anunciação, pretende criar um espaço para discutir a autoria dramatúrgica entre jovens dramaturgos negros brasileiros e contemporâneo. A proposta é identificar e mapear referenciais poéticos, estéticos e estilísticos que norteiam um teatro negro brasileiro.















O Subterrâneo Jogo do Espírito - A vida de Fella Kuti no palco do Teatro de Arena Eugênio Kusnet-SP integrando a programação do Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada. De 28/02 a 17/03 sempre 20hs!




Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Teodoro Baima, 94 Vila Buarque
Tel.: 3256-9463
Estação República do Metrô

QUEM NÃO PODE COM MANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ



Quem não pode com mandinga, não carrega patuá, expressão usada para dizer que não se deve assumir compromissos que não possa cumprir, mas porque surgiu essa expressão? Se ainda não sabia, fique por
dentro agora. ( Preta Jóia)


Os Mandingas são grupos de africanos do norte que, pela proximidade com os árabes
acabaram se tornando muçulmanos, religiosos que tem muitas restrições aos que não aceitam
Alá como Deus ou Maomé como o seu profeta.
Com o crescimento do tráfico de escravos, vários negros mandingas vieram parar no
continente americano, vítimas da ambição dos brancos. Muitos desses escravos sabiam ler e
escrever em árabe. Esse estado superior de cultura desse grupo de negros fez com que
fossem rotulados de feiticeiros, passando a expressão mandinga a designar feitiço.
Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos
negros muçulmanos. Os senhores brancos, aproveitando-se dessa rivalidade e confiando aos
mandingas funções superiores que aos demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os
mandingas não eram obrigados pelos senhores brancos a comer restos de carne de porco e
até mesmo permitiam que eles usassem trechos do Alcorão guardados em pequenos
invólucros de pele de animais pendurados ao pescoço. Constantemente eram os negros
mandingas que acabavam ocupando o lugar de caçadores de escravos fugitivos, recebendo a
denominação de “capitães-do-mato”.
Quando um escravo pretendia fugir da senzala, além de se preparar para lutar sem armas
através da capoeira e do maculelê, ele passava a usar o cabelo encarapinhado e pendurava ao
pescoço um patuá, de modo que pensassem tratar-se de um negro mandinga, para não ser
perseguido. Entretanto, se um verdadeiro mandinga o abordasse e ele não soubesse
responder em Árabe, o verdadeiro mandinga descarregaria toda a sua violência nesse infeliz
negro fugitivo. Assim nasceu a expressão “quem não pode com mandinga não carrega patuá”.
A vingança a quem se atrevesse a portar um falso objeto sagrado pelo muçulmano era algo
muito terrível. Com o passar do tempo o hábito de utilizar patuás entre os negros foi se
generalizando, pois eles acreditavam que o poder dos mandingas era devido, em grande parte,
aos poderes do patuá. Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda utilizam, crucifixos
e medalhas, agnus dei, etc., que depois de benzidos, a maioria das pessoas acredita possam
trazer proteção aos devotos nelas representados. Na verdade, o uso do talismã perde-se na
longa noite do tempo e confunde-se com a própria história do gênero humano.