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sábado, 2 de março de 2013

QUEM NÃO PODE COM MANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ



Quem não pode com mandinga, não carrega patuá, expressão usada para dizer que não se deve assumir compromissos que não possa cumprir, mas porque surgiu essa expressão? Se ainda não sabia, fique por
dentro agora. ( Preta Jóia)


Os Mandingas são grupos de africanos do norte que, pela proximidade com os árabes
acabaram se tornando muçulmanos, religiosos que tem muitas restrições aos que não aceitam
Alá como Deus ou Maomé como o seu profeta.
Com o crescimento do tráfico de escravos, vários negros mandingas vieram parar no
continente americano, vítimas da ambição dos brancos. Muitos desses escravos sabiam ler e
escrever em árabe. Esse estado superior de cultura desse grupo de negros fez com que
fossem rotulados de feiticeiros, passando a expressão mandinga a designar feitiço.
Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos
negros muçulmanos. Os senhores brancos, aproveitando-se dessa rivalidade e confiando aos
mandingas funções superiores que aos demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os
mandingas não eram obrigados pelos senhores brancos a comer restos de carne de porco e
até mesmo permitiam que eles usassem trechos do Alcorão guardados em pequenos
invólucros de pele de animais pendurados ao pescoço. Constantemente eram os negros
mandingas que acabavam ocupando o lugar de caçadores de escravos fugitivos, recebendo a
denominação de “capitães-do-mato”.
Quando um escravo pretendia fugir da senzala, além de se preparar para lutar sem armas
através da capoeira e do maculelê, ele passava a usar o cabelo encarapinhado e pendurava ao
pescoço um patuá, de modo que pensassem tratar-se de um negro mandinga, para não ser
perseguido. Entretanto, se um verdadeiro mandinga o abordasse e ele não soubesse
responder em Árabe, o verdadeiro mandinga descarregaria toda a sua violência nesse infeliz
negro fugitivo. Assim nasceu a expressão “quem não pode com mandinga não carrega patuá”.
A vingança a quem se atrevesse a portar um falso objeto sagrado pelo muçulmano era algo
muito terrível. Com o passar do tempo o hábito de utilizar patuás entre os negros foi se
generalizando, pois eles acreditavam que o poder dos mandingas era devido, em grande parte,
aos poderes do patuá. Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda utilizam, crucifixos
e medalhas, agnus dei, etc., que depois de benzidos, a maioria das pessoas acredita possam
trazer proteção aos devotos nelas representados. Na verdade, o uso do talismã perde-se na
longa noite do tempo e confunde-se com a própria história do gênero humano.

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