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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Cia. CRESPOS ESTREIA CARTAS À MADAME SATÃ

 Fonte: Lau Francisco / Fotos Pablo Rodrigues



Cartas a Madame Satã ou eu me
desespero sem notícias suas”, novo espetáculo dos Crespos, estreia em São Paulo

O amor é sempre uma intenção à procura de uma ação. A escravidão entre nós reduziu o negro a reprodutor, objeto, nunca o amante recíproco... Se amar é prática que se aprende, que história do amor é essa que se aprendeu a praticar, quando a intimidade sempre foi o campo da violência (trecho do texto do espetáculo)

Em seu quarto, um homem negro se corresponde com a figura mítica de Madame Satã. Fragmentos de histórias revelam, através das cartas, trajetórias e casos de amor, numa cidade-país carregada de doenças, que mantém sob cárcere privado um jovem apaixonado. O espetáculo Cartas à Madame Satã ou me desespero sem notícias suas”, da Cia. Os Crespos, estréia dia 02 de maio de 2014, às 21h, no Teatro Studio Heleny Guariba (Praça Roosevelt, 184, Consolação). A peça conta com a direção de de Lucélia Sergio, dramaturgia de José Fernando de Azevedo e interpretação de Sidney Santiago Kuanza, com colaborações em vídeo dos atores Vitor Bassi e Luis Navarro. O espetáculo dá prosseguimento ao projeto “Dos desmanches aos sonhos – Poética em Legítima Defesa”, trabalho que dá prosseguimento a um processo de pesquisa sobre afetividade de mulheres e homens negros

O espetáculo parte da pesquisa sobre a homoafetividade de homens negros, sua sociabilidade diante dos estereótipos sexuais de virilidade que cerceiam sua experiência afetiva. A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza do discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus. São histórias ou pedaços de histórias que ganham vida na pele da personagem (Sidney Santiago), que é um ator, e que portanto pode viver muitas vidas. Ele se corresponde com a figura mítica de Madame Satã, através dessas histórias, ao mesmo tempo que constrói imagens e discursos sobre elas.  A peça é um desenrolar de vestígios de uma sociabilidade cerceada e impressões sobre a construção da identidade desse indivíduo que busca libertar-se de estereótipos sexuais determinantes para sua vida. “Vamos falar do assunto sem nos deixar intimidar pelos tabus, convidando o público para compartilhar momentos de intimidade, tentando entender que o afeto é estruturante e determinante e vai além do que as pessoas se deitam acreditam”, explica Lucélia Sergio.

Para chegar ao resultado deste espetáculo Os Crespos realizaram uma campanha de recebimento de cartas via Internet de homens negros que desejavam contar suas experiências amorosas e sentimentos. Além das cartas recebidas, o grupo também realizou entrevistas coletivas com pelo menos 40 homens nas ruas de São Paulo, casas noturnas, presídios e pontos de encontro do público GLBT e também entrevistas coletivas. As entrevistas foram disparadores na tentativa de flagar nas histórias contadas onde a questão do corpo e a afetividade se cruzam.

A em importância em abordar este assunto parte do princípio de que os homens, principalmente os homens negros, aprendem desde cedo a serem viris, machos e a eles é negado o direito ao afeto. Então, a clandestinidade passa a ser uma saída para o desejo, mas ainda falta o afeto. “Quando o amor não é mais clandestino em suas vidas, esses homens têm que continuar respondendo à estereótipos de hipervirilidade e ao repúdio da sociedade, como se ele tivesse traíndo a raça, a não ser que ele seja a bichinha”, completa Lucélia.

Quem são Os Crespos
“Os Crespos” é um coletivo teatral de pesquisa cênica áudio-visual, debates e intervenções públicas, composto por atores negros. Formou-se na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP e está em atividade desde 2005. Em 2006 estreou com o espetáculo “Anjo Negro”, com direção do alemão Frank Castorf; em 2007 volta ao palco com “Ensaio sobre Carolina”; em 2009 e 2010 apresentou o projeto “A construção da imagem e a imagem construída”; em 2011 estreou “Além do Ponto”, com direção de José Fernando de Azevedo.

Ficha técnica

Direção: Lucélia Sergio Ator criador: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: José Fernando de Azevedo Direção de arte: Antonio Vanfill Trilha Sonora: Dani Nega Direção de Vídeo: Renata Martins Preparação Vocal: Frederico Santiago Preparação Corporal: Janette Santiago Direção de Produção: Eneida de Souza Assistente de Produção: Guilherme Funari Atores colaboradores: Vitor Bassi e Luís Navarro Operador de luz: Aguinaldo Nicoleti
Serviço

Local: Teatro Studio Heleny Guariba
Pça Roosevelt, 184 - Consolação
Tel: 3259-6940  Capacidade: 48 lugares
Preço: R$ 15,00 inteira e R$ 7,50 meia entrada.



Acesso para Deficiente, Não tem convênio com estacionamento, Aceita cheque e dinheiro, Bilheteria abre 1 hora antes do espetáculo.

Apresentações:

02/05 – sexta-feira - 21:00h
03/05 – sábado – 21:00h
04/05 – domingo – 19:00h

09/05 – sexta-feira – 21:00h
10/05 – sábado – 24:00h
11/05 – domingo – 22:00h

17/05 – sábado – 21:00h

18/05 – domingo – 19:00h

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