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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Funarte lança edital com 45 bolsas de até R$ 150 mil para artistas e produtores negros




Fonte: Ministério da Cultura.

Até 10 de outubro, produtores e artistas negros terão a oportunidade de receber até R$ 150 mil para seu projeto artístico. A iniciativa é da Fundação Nacional das Artes (Funarte) que concederá 45 bolsas nas áreas de artes visuais, circo, dança, música, teatro, preservação da memória e artes integradas.


Divulgado na segunda-feira (25), o edital Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negrostem investimento de R$ 4 milhões via Fundo Nacional de Cultura. Os prêmios serão divididos em três módulos: Módulo A, 15 prêmios de R$ 150 mil; Módulo B, 12 prêmios de R$ 80 mil; e Módulo C, 18 prêmios de R$ 30 mil.
O edital contemplará exposições e mostras (pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, novas mídias e demais linguagens), oficinas, intervenções urbanas, seminários e eventos similares nas áreas de artes visuais; projetos de produção e circulação de espetáculos, bem como oficinas e seminários, entre outros eventos, nas áreas de circo, dança e música. São incluídos, ainda, produção de material de difusão artística (CDs, DVDs e websites) e produção de livros paradidáticos.
Edital
Podem participar pessoas físicas (artistas e produtores) que autodeclararem negros no momento da inscrição. Os chamados coletivos, que são os conjunto de artistas sem personalidade jurídica formalizada, também poderão concorrer como pessoas físicas.
Os interessados ainda devem comprovar, em seu currículo, experiência no desenvolvimento de atividades artísticas que conservam elementos das culturas de matriz africana ou realização de trabalhos com temas ligados à experiência social e política da população negra dentro ou fora do Brasil. Só poderá ser inscrito um projeto por proponente.
Os projetos serão avaliados em três etapas. A primeira é a habilitação, com triagem dos projetos de acordo com as exigências do edital. A segunda é uma avaliação segundo critérios do edital e a última, uma análise documental eliminatória. O resultado será divulgado no portal da Funarte.
A avaliação será realizada por uma comissão de seleção composta por 20 membros, dos quais sete são representantes regionais do Ministério da Cultura e os demais são membros da sociedade civil indicados pela Funarte dentro das linguagens artísticas.
Após a divulgação do resultado, os inabilitados terão dois dias úteis para recorrer. O recurso só poderá ser enviado por meio do formulário de recursos disponível no site da Funarte, para o endereço artistaseprodutoresnegros@funarte.gov.br, identificado no assunto da mensagem: “Recurso Etapa 2″.




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OS CRESPOS :AUSÊNCIAS E PRESENÇAS NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO


Fonte: Feira Cultural Preta


Dia 31 de agosto a programação da Pílula de Cultura vai ser voltada pra uma das artes que mais admiramos! O Teatro! Tem vontade de ser atriz ou ator? Entender como funciona e acompanhar espetáculos da Cia Os Crespos Coletivo Negro e Capulanas? Então nos vemos lá no Centro Cultural São Paulo - Ação Educativa Domingo, dia 31 a partir das 15hs.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

LINDO POEMA HOMENAGEM À MULHER NEGRA





Sou negra, 
Sou negra beleza pura, 
Como é bom ser negra! 
Para toda esta beleza 
Meu tipo não é europeu. 
Venho da África, meu irmão, 
Sou negra sem os 68 cm de cintura. 
Como é bom ser negra 
Do nariz largo, dos lábios grossos, 
Dos olhos grandes, atentos a tudo. 
Dos meus seios redondos já não sai 
Mais leite para os teus filhos 
Mais sim para os filhos que eu quiser! 
Sou negra dos quadris invejáveis para 
O repouso do homem que eu quiser ter. 
Eu sei o segredo do caminhar e te envolver - 
Cuidado seu moço! 
Não sou peça de prostituição! 
Não sou mais do teu fogão! 
Sou negra do pixaim que exibo com prazer! 
Sou negra pro meu nego me chamar de pretinha! 
Sou negra não pro samba de Sargentelli da vida, 
Mas para o batuque do meu povo guerreiro: 
No morro, na favela, no terreiro! 
Minha mãe não é Nossa Senhora, 
Mas sim Nana Buruku. 
Meu herói não é Princesa Isabel, 
Mas sim o grande Zumbi. 
Como é bom ser negra! 
Sou negra e sou Miss da Negritude; 
Sou negra e sou Rainha do Congo, na Angola, 
Na Nigéria ou no Brasil. 
Sou negra apesar de você me denominar de moreninha, 
Mulata, jambo ou outro matiz. 
Sou negra e não reforçar o sistema que está aí 
Sou negra apesar de você não admitir, 
Eu sei o jongo de capoeira 
Eu sei o jongo do afoxé, 
O segredo do candomblé 
Eu sei dar o tempero certo para o vatapá 
Que eu quero comer. 
Como é bom ser negra! 
Negra para toda essa negritude! 
Sei que sou o veneno, a pimenta 
Com meu sorriso aberto, meus pés grandes 
e firmes 
Sou negra 
Sou gostosamente negra! 
Extasiantemente negra! 
Conscientemente negra! 










sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Show :Vanessa Jackson e Você



A cantora estreia quinta-feira (14), no Teatro Nair Belo, sempre recebendo convidados especiais em seus shows.


Intitulado Vanessa Jackson & Você, o espetáculo tem proposta diferente dos shows que a intérprete está acostumada a fazer para grandes plateias.
“É muito estimulante esse contato bem próximo com o público.

Pude saborear essa experiência nas duas primeiras edições do projeto, em 2009 e  2012”. Comenta a cantora. Apesar do clima intimista – mais justificado pela ambientação  sonoridade –, Vanessa não está sozinha no palco. O show tem participação especial de Ah Mr Dan, 
Bruna Tatoo, Dave Black e Rodrigo Moraes, além de banda com guitarra,
bateria, baixo, teclados e backing vocals.

Vanessa Jackson explica que não vai reprisar o mesmo show de dois anos atrás. Seguindo o mesmo perfil anterior, ela promete novidades: além dos convidados, o cenário, o figurino, a iluminação e o repertório estão de caras novas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

CONCURSO: I MISS BLACK POWER DO BRASIL VEM AI !!!



Fonte: Azeviche Magia 

Primeiro Miss Black Power do Brasil no Mercado di Pret@. Meninas/Mulheres Black Powers, este concurso é para vocês. Fiquem atentas à divulgação do edital e inscrevam-se. Em breve maiores informações.





Mercado di Pret@ de volta ao Rio de Janeiro nos dias 07, 08 e 09 de Novembro de 2014. Guardem em suas agendas, reservem suas passagens. Vai ser um Mercado de ainda mais emoções afronovidades para você. 











sexta-feira, 1 de agosto de 2014

OLHA, EU SOU DA PELE PRETA: GRAÇAS A DEUS!


Texto:Cecilia Oliveira
Fotos: Fernando Oliveira
Fonte: Meninas Black Power

 Há um ano e seis meses, resolvi recomeçar a vida. Balzaquiana, decidi cortar todo o cabelo e me conhecer e reconhecer como mulher negra. Foi resultado de longos estudos sobre identidade, história, negritude. Seria um gran finale de aceitação.
      Foram meses lendo sobre textura, tratamentos, cronogramas capilares etc. Era um mundo que eu não fazia ideia de que existia. Primeiro entrave: como escolher os tratamentos/produtos adequados ao meu cabelo se eu não conhecia meu cabelo? Nas leituras, descobri que existem cabelos de 2A até 4C. Mas qual era o meu tipo? Eu não fazia ideia. Eu precisava saber qual era pra saber como criar meu cronograma capilar e aprender a hidratar, nutrir e reconstruir a massa do cabelo para mantê-lo saudável. E aí, diante da minha decisão, ouvi duas perguntas: “Isso é caro? Vai dar mais trabalho?” Oras! Caras e trabalhosas eram as escovas progressivas para alisar os cabelos!
        Alisei os cabelos pela primeira vez – ao que me lembro – lá pelos 8 ou 9 anos, com a então famosa e maldita "touca de gesso". Lembro de ter me sentido absolutamente ridícula em ficar com cabeça "engessada" por mais de uma hora. Era uma coisa fedida, que deixou meu couro cabeludo vermelho e sensível durante uns dias. Desde então, a cada três meses, lá estava eu de volta, para "domar" aqueles insistentes cabelos que me tiravam o sossego – e a beleza.

 Beleza: tá aí uma coisa que "nunca tive". Sempre me achei muito feia. Magra, "cabelo duro", espinhas, "moreninha". Tudo pra ser preterida. E assim foi por muito tempo. Lembro com clareza de quando chegou a época da formatura da oitava série e precisavam ser formados pares para a cerimônia (não vou entrar no mérito dessa convenção social machista agora). Lembro que eu tinha um grupo de amigos, e nenhum deles quis entrar comigo na tal cerimônia. Ouvi um deles falando: "prefiro a Eduarda. Mais bonita". Eduarda, com seus longuíssimos cabelos lisos e branquinha, era mais bonita. Claro. Hoje entendo a beleza de Eduarda. E a minha. Lembro ainda uma outra vez em que eu estava varrendo a varanda de casa e uma pessoa, procurando por minha mãe – que é branca e viúva de um negro – perguntou se "a dona da casa estava". Cada qual no seu lugar, certo? Errado.

ANTES "MORENINHA". AGORA, NEGRA E…. GAY?
       Pixaim, palha de aço, Bombril, vassoura, leoa, sarará, cabelo duro, cabelo ruim, piaçava. Ouvi isso a vida inteira, mesmo depois de alisar o cabelo, já que ele, mesmo alisado, não tinha a aparência adequada, de naturalmente liso. Mas, aleluia, um dia chegou o dia do Big Chop ("BC" para os íntimos), a hora de cortar tudo. Eu estava tão ansiosa que não aguentaria passar pela transição, forma como muitas meninas conseguem manter o cabelo alisado até ter o tamanho suficiente de cabelo natural pra não precisar cortar "Joãozinho".




  Pois eu cortei "Joãozinho". E ganhei mais um rótulo imediatamente. Passei a receber olhares, questionamentos sobre minha sexualidade e até vivenciei a homofobia, quando um homem bradou: “isso é uma pouca vergonha! É culpa do Lula e do politicamente correto a gente ter que ver isso!”. Eu estava tomando um suco com uma amiga – também de cabelos curtos – numa lanchonete perto de casa. Peguei uma cadeira para “educa-lo”, mas fui contida. Melhor assim.

ACEITAÇÃO: UM ATO POLÍTICO.
     "Será que você consegue um namorado agora, com esse cabelo?", "será que consegue um emprego?", "sua criança vai sofrer bullying na escola?". Não vou dizer que não pensei nestas coisas. Mas vou dizer que pensei mais nas respostas. Eu gostaria de me relacionar com alguém que me avaliasse e me desejasse de acordo com meu cabelo? Eu gostaria de trabalhar num lugar em que a capacidade das pessoas fosse medida pelo cabelo? Eu matricularia minha criança em uma escola que mandasse cortar o cabelo, como um uniforme? Eu me submeteria ao racismo? Eu realmente quero me retirar destes debates e me recolher ou quero lutar com as pessoas pela garantia de direitos de todos e pela mudança desse cenário medíocre e criminoso?
       As respostas a essas perguntas são políticas. Somos seres políticos. Existir é um ato político. Existir como mulher negra é um duplo exercício de luta pela cidadania e plenitude de direitos. Deixar seu cabelo pro alto, no lugar onde você decidiu que ele deve estar, é uma afronta. Uma afronta à “ordem natural das coisas”, onde o negro tem seu lugar muito bem delineado – um lugar num cantinho, mais ao lado, mais na cozinha, um segundo lugar. Uma afronta ao Estado Brasileiro, que teve uma política oficial de branqueamento de seu povo, focando na miscigenação e no estabelecimento de uma população morena. Negra não. Esta coisa ruim tinha que ser apagada.


Aceitar-se é uma afronta a um Estado cuja polícia federal exige que se prenda os cabelos para ter direito a tirar um documento. Afronta a um Estado que mata majoritariamente negros. Afronta a um Estado cujos cargos de chefia são ocupados em sua esmagadora maioria por homens brancos, que ganham 36% mais que os homens negros e 47,8% mais que as mulheres negras. Eu nasci pra afrontar esse Estado, pois nascer e viver sob esse Estado é uma afronta.

RACISMO SEM FIM
     Como esperar que uma criança não reproduza o racismo ou se acostume a sofrê-lo se ela não reconhece ao seu redor negros em posição que não seja subalterna? Como isso é possível sem que sequer haja bonecas negras pra brincar, bonecas com sua cor, seu cabelo, sua boca e nariz, sua identidade e que mostrem à criança que ela é bela e merece ser copiada?
     Como ser negro pode ser algo bom, não depreciativo, se pessoas da sua cor sequer aparecem no cinema, se não têm representatividade? Quantos negros protagonizam novelas que se passam no Leblon, são ricos, patrões, tem casas bonitas na beira do mar (protagonistas de senzala, em novelas de época não contam)?  Mulheres negras no cinema praticamente não existem, mesmo que nós sejamos 52% da população feminina do país.
NÃO PASSARÃO!
    Nós, mulheres e homens negros, construímos este e outros países. Carregamos o Brasil nas costas ainda hoje, mesmo ganhando bem menos pra isso e morrendo mais cedo e em maior número. Mas aprendemos a resistir e, a cada dia, aprendemos a peitar aqueles que acham que aqui não é nosso lugar. Nós vamos lutar para viver mais e melhor e vamos ensinar nossos filhos que nosso cabelo, nosso nariz, nossa pele são as características da liberdade e da resistência e que temos, sim, direito a um lugar ao sol

                                               Cabral, o retrato da desinteligência nacional

Nós, mulheres negras, vamos continuar procriando, mesmo que governadores brancos nos chamem de "parideiras de marginais". Nós vamos afrontar este Estado e mostrar que nosso lugar não é na cozinha.

(O título do texto é uma alusão à música de Cabelo Pixaim, de Jorge Aragão.)

Cecília Oliveira é Jornalista e pesquisadora, com especialização em Criminalidade e Segurança Pública pela UFMG, é coordenadora de comunicação do Law Enforcement Against Prohibition – LEAP Brasil. Indicou o texto, originalmente postado no site Ano Zero, para ser postado no blog MBP.