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terça-feira, 20 de setembro de 2016

NEGO ALVARO LANÇA CD "CRIA DO SAMBA" COM MUITO SAMBA E SWING




Fonte: Rozangela Silva / Bi & Ro Assessoria de Comunicação
Foto : Lucas Bori 

O CD "Cria do samba", disco que marca a estreia de Nego Alvaro na carreira solo, esbanja vertentes do mais carioca dos gêneros musicais. Tem o clássico samba de roda, onde está a raiz do artista, o dolente, partido alto e até samba-rock. A obra, idealizada por Moacyr Luz, tem produção de Pretinho da Serrinha - que também fez os arrajos nos três sambas-rock do álbum - e reúne expoentes da nossa música, como Carlinhos 7 Cordas, Mart'nália, Sereno e Rildo Hora. Um time de primeira para dar mais brilho ao trabalho de Nego Alvaro, que, aos 27 anos, já é um músico experiente.
Ele começou a tocar profissionalmente aos 15 anos e se acostumou a subir os degraus do mundo da música. Integrante do Samba do Trabalhador e da banda de Beth Carvalho, Alvaro comanda, há quase dois anos, o Mafuá no Quintal, na Zona Norte carioca. Em todos esses palcos, apresenta o talento que mostra em seu primeiro disco solo, seja com os instrumentos de percussão, diante do microfone ou como compositor.
Das 11 faixas do disco, seis têm sua assinatura. E para dar cara ao disco "Cria do samba", Nego Alvaro buscou músicas além de sua roda de parceiros. A faixa 5, "Hino Vira-Lata", é de Emicida, Beatnick e K-Salaam, que o rapper paulista gravou, em 2013, no seu CD "O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui".
A canção explica: "Meu coração 'tá' na mão do ritmista/Do DJ, no pandeiro do repentista/E onde for, meu amor, vão saber/Que ali vai um maloqueiro/Apaixonado por você".
E Nego Alvaro, sob a direção do talento de Pretinho da Serrinha, dá a essa faixa uma dançante pegada de samba-rock. O mesmo acontece com "Extra 2 (O rock do segurança)", de Gilberto Gil, que está na faixa 10 e, originalmente, foi gravada pelo artista baiano no LP "Raça humana", de 1984, quando Alvaro sequer era nascido.
É aquela que canta: "Sei que o senhor é pago pra suspeitar/Mas eu estou acima de qualquer suspeita/Em meu planeta todo o povo me respeita/Sou tratado assim como um paxá"
A música que abre e dá nome ao CD faz parte da vida de Alvaro: "Cria do samba", parceria dele com Moacyr Luz e Mingo Silva, seus colegas de Samba do Trabalhador. É que a canção, que surgiu de ideia de Moacyr, é inspirada em Alvaro, que cresceu em Bangu, no subúrbio carioca. Diz a letra: Eu sou cria do samba/E sou subúrbio às “pampa”, sim/Da domingueira, andar descalço, chinfrim/Zé Pereira, sou baticum, butiquim/Abrideira, meu santo cuida de mim".
Ela faz parte do disco "Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - dez anos e outros sambas", de 2015. E nesta gravação, é cantada apenas por Alvaro. No disco "Cria do Samba", Alvaro divide a faixa com Moacyr Luz. Um luxo.
"De frente pro mar", de Alvaro, Victor de Souza e Jonas Felipe, é a segunda música do CD. É um samba animado e que fala de amor: "Esse amor é o que vai nos levar pro céu". Essas duas primeiras têm arranjos de Carlinhos 7 Cordas.
A terceira faixa é "Chuva no sertão", parceria de Alvaro com Gabrielzinho de Irajá, Pablo Macabu e Paulo Henrique. A música, que tem arranjos de Rafael dos Anjos, é um samba dolente. É calmo, mas não tanto quanto uma oração, embora este samba seja uma prece, um pedido a Deus. Ele diz: "Senhor, 'tão' querendo calar a nossa voz/Mas eu sei que o senhor luta por nós/Por favor, não me deixa sozinho/Tira as pedras do meu caminho/Numa prece desata esses nós".
"Estranhou o quê?" é a música que abriu portas para Nego Alvaro, como cantor, no mundo artístico. Ele a cantou no CD e DVD "Moacyr Luz e Samba do Trabalhador - ao vivo no Renascença Clube", gravado em 2012 e lançado em 2013. De ritmo marcante, a letra pergunta, em tom provocante: "Estranhou o quê?/Preto pode ter o mesmo que você".

É um canto de afirmação contra o racismo, e no disco de Nego Alvaro, ocupa a faixa de número 4.
Em seguida vem "Hino vira-lata". E na faixa 6 está "Marca registrada", de Alvaro, Sereno e Pablo Macabu. O música, inclusive conta com a participação de Rildo Hora, o maestro do samba, e Sereno, um dos imortais do Fundo de Quintal. É suave, bem no estilo das grandes composições que surgiram sob a tamarineira do Cacique de Ramos, o tradicional bloco que serviu de escola para Alvaro.
A música ensina: "Do fundo dos nossos quintais/Nasceram as mais ricas canções/E bem nos faz recordar de gerações em gerações/Ah.. o poder da canção/Nos deu o dom de encantar o mundo/É bom viver e cantar/É bom viver, recordar/É bom viver e cantar... pro mundo".


Na sequência, na sétima faixa, Nego Alvaro segue prestando tributo ao quintal no qual foi talhado, preparado para o bom samba. Ele gravou um pout-pourri com três músicas de bambas consagrados por lá: "Eu prefiro acreditar" (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Marquinhos PQD), "A voz do Brasil" (Sombra, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila) e "Nascente da paz" (Sombrinha e Adilson Vitor).
A faixa 8 tem música e letra do artista. "Pra te encontrar" registra o desafio de um bamba apaixonado, que pensa em fazer de tudo para ter sua amada por perto: "Eu não sei o que fazer/Mas eu vou te conquistar/Nem que eu tenho que ser a luz mais bonita que o luar/Nem que eu tenho que ser o mais belo no pássaro no ar/Nem que eu tenho que ser um canto sublime e te encantar/Nem que eu tenho que ser um suave, doce paladar".
O samba "Tá querendo", na faixa 9, parceria de Alvaro com Marcelinho Moreira e Leandro Fab, esbanja a malemolência do bom malandro, a sabedoria do sambista que flerta com poesia. Veja só: "´Tá' querendo o que de mim?/'Tá' querendo/'Tá' querendo um dengo, eu dou/'Tá' querendo/'Tá' querendo um cheiro, Ó, flor/'Tá' querendo".
"Extra 2 (O rock do segurança)", de Gilberto Gil, é a décima faixa.
E a música que encerra o disco de Nego Alvaro é uma inédita de Moacyr Luz, "Circular", e remete ao subúrbio carioca, berço desse sambista de primeira. E esse samba, bastante sincopado, conta com a especialíssima participação de Mart'nália. A letra passeia pelo Rio, principalmente pelo miolo da Cidade Maravilhosa: "Carioca da Gema/A pé da Boca do  Mato/Na Vila da Penha/Bicão e Sumidouro/Travessa do Sereno, Sal/O Sentaí, atrás da Central/Tem Linha Amarela, na mão que desce à Maré/Largo da Cancela/No Mangue, no Tanque/No charme em Madureira/Estação Primeira".

Desfilando do samba dolente ao samba-rock, o disco de Nego Alvaro faz o ouvinte riscar o salão, seja dizendo no pé ou na palma da mão.






Projeto Cultural Manguerô, na Pavuna​, Arena Jovelina Perola Negra​, com direção Haroldo Costa.

Credito: DeVictor/ Direção :Haroldo Costa

Dia 25 de setembro (Domingo), o projeto Cultural Manguerô, na Arena Jovelina Perola Negra, na Pavuna, a partir das 14h e por apenas R$1,00.

O musical faz parte do Programa de Fomento à Cultura Carioca SMC, com direção Geral de Haroldo Costa, direção artística Robson Lo Bianco e coordenação geral DeVictor.

"GRUPO MANGUERÔ - 100 Anos de Samba Numa Pegada Diferente" é um espetáculo proposto pelo GRUPO MANGUERÔ, formado pela nova geração de músicos oriundos do Morro de Mangueira, Igor Vianna (intérprete de sambas enredo do carnaval carioca e de São Paulo), Mariana Secron (cantora carioca) e Mario Broder, que apresentarão ao público, clássicos do samba, numa "pegada" rítmica e melódica própria e em diversos ritmos, saindo do modelo convencional do samba.

O espetáculo proporciona ao público uma nova forma de sentir os tradicionais clássicos do samba, numa roupagem nova e atual, em diversos ritmos brasileiros, como funk, hip-hop, pop e o samba. Nestas apresentações musicais, vamos comemorar os 100 anos do samba mostrando versões novas de clássicos do samba como, por exemplo, "As Rosas Não Falam" do Mestre Cartola, no ritmo do Funk.

Domingo 25 de Setembro 
Arena Jovelina Pérola Negra
Apresentação às 14h
Endereço: Praça Ênio – Pavuna
Tel: 2886 3889
Capacidade: 320 lugares

Tantinho da Mangueira na Pavuna - Arena Jovelina Pérola Negra

“MUITO PRAZER! EU SOU O PARTIDO ALTO”
RODA DE PARTIDO ALTO COM TANTINHO DA MANGUEIRA,
Com Participação especial de Marcos China

Fonte: Ana Beatriz Area 

O domingo do dia de setembro, será dedicado a Tantinho da Mangueira, na Arena Jovelina Perola Negra, na Pavuna, a partir das 15h e por apenas R$ 1,00.

Para comemorarmos os 100 anos do samba, o premiado compositor e intérprete Tantinho da Mangueira, que é considerado como um dos últimos “Mestres do Samba de Partido Alto”, gênero que se aproxima do repente nordestino, apresenta o projeto "Muito Prazer! Eu Sou o Partido Alto", que pretende resgatar o gênero musical, descobrir novos talentos e perpetuar o gênero.

 Com um histórico de primeira, Tantinho da Mangueira, é compositor, Intérprete e um dos últimos mestres do Samba de Partido Alto, ingressou na Ala de Compositores da Verde e Rosa, aos 13 anos de idade, e com indicação do mestre Cartola. Aos 60 anos de idade, após se aposentar pela FUNARTE, passou a se dedicar exclusivamente a carreira artística, quando lançou em 2006, o seu primeiro CD "Tantinho, Memória em Verde e Rosa", que em 2007, conquistou o prêmio TIM na categoria "Melhor CD de Samba". Em 2009, lançou o segundo disco "Tantinho, Canta Padeirinho da Mangueira", onde conquistou o prêmio da Música Brasileira em 2010 nas categorias "Melhor CD de Samba" e "Melhor Cantor de Samba". Desde 2010, é integrante da Velha Guarda Show da Bateria da Mangueira.

 “MUITO PRAZER! EU SOU O PARTIDO ALTO” - Na primeira parte do show Tantinho e convidados criam improvisações e versam, prestando uma justa homenagem a essa fase histórica - "O Rio de Janeiro e as Olimpíadas", na segunda parte, o tema será sobre "100 Anos do Samba". O repertório contará com clássicos do samba. No palco, Tantinho da Mangueira ganha reforço de Marcos China  

 §  O Samba de Partido Alto é um estilo de samba, surgido no início do século XX, espécie de samba cantado em forma de desafio por dois ou mais contendores e que se compõe de uma parte de coral (refrão ou "primeira") e uma parte solada com versos improvisados e foi muito "badalado" até o final dos anos 70 e teve vários mestres como: Candeia, João da Gente, Casquinha, Cabana da Portela, Anescarzinho e Geraldo Babão do Salgueiro, Aniceto e Nilton Campolino do Império Serrano, Babaú, Padeirinho, Xangô e Tantinho da Mangueira, que é o último remanescente dessa geração e em plena atividade.

 O show tem direção geral do Haroldo Acosta e produção da DeVictor, parceria que já dura 6 anos.  A direção Artística fica a cargo de Robson Lo Bianco. E o melhor, com valor simbólico de R$ 1,00.


Domingo 25 de Setembro 
Arena Jovelina Pérola Negra
Apresentação às 15h
Endereço: Praça Ênio – Pavuna
Tel: 2886 3889
Capacidade: 320 lugares

EXTENSÃO MIRADA traz espetáculos internacionais e nacionais para unidades de São Paulo e Sorocaba

Espetáculos da Argentina, Chile, Espanha, México e Uruguai, presentes no MIRADA} Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em Santos, ampliam permanência no Brasil para curta temporada em unidades de SP; duas peças brasileiras iniciam temporadas na capital


Fonte: Márcia Marques / Canal Aberto Assessoria de Imprensa  
Sete espetáculos de seis companhias internacionais, participantes do Mirada
em Santos, sobem a serra para mostrar ao público suas obras. Duas obras nacionais, 
A Comédia Latino-Americana e Leite Derramado, fazem suas estreias na capital.


MIRADA} Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, evento bienal realizado pelo Sesc que acontece de 8 a 18 de setembro de 2016 em Santose mais quatro cidades do litoral paulista, também chegará às unidades do Sesc em São Paulo Sorocaba.

Nove espetáculos serão apresentados entre os dias 15 de setembro e 13 de novembro nas duas cidades e formam a programação EXTENSÃO MIRADA, que reflete o conceito global do evento: correlacionam o pensamento crítico à busca permanente por inovação em temas, técnicas e formas de abordar a arte.

Em parceria com a Prefeitura de Santos, a quarta edição do Mirada reúne em sua programação 43 montagens originárias de 12 nacionalidades. Trata-se de um panorama que potencializa a capacidade das artes cênicas reagirem diante das singularidades histórica, social, política e econômica, evidenciando a força da arte politicamente engajada sem perder de vista a ambição poética e a pluralidade estética.

Dentre os internacionais, seis deles compõem o Extensão Mirada: Cuando todos pensabam que habíamos desaparecido - Gastronomiaescenica, da Cia. Vaca 35, do México (17 e 18/9, Sesc Pompeia);  ¿Qué haré yo con esta espada?, da espanhola Angélica Liddell (17 e 18/9, no Sesc Pinheiros); No daré hijos, daré versos, dirigido pela uruguaia Marianella Morena (20 e 21/9, no Sesc Ipiranga)La Contadora de Películas, criação da companhia chilena Teatro Cinema (21 e 22/9, no Sesc Vila Mariana); Psico/Embutidos, do diretor mexicano Richar Viqueira (de 23/9 a 1/10, no Sesc Consolação); Dínamo, do coletivo argentino Timbre 4 (21/9 no Sesc Sorocaba e 24 e 25/9 no Sesc Bom Retiro). Lo único que necessita uma gran actriz, es um gran obra y las ganas de triunfar, também da Cia. Vaca 35, será apresentado exclusivamente em São Paulo nos dias 15 e 16/9, no Sesc Pompeia.

Dois espetáculos brasileiros que fazem sua estreia no Mirada, em Santos, iniciam temporada em São Paulo, em outubro: A Tragédia Latino-Americana e a Comédia Latino-Americana. Segunda Parte: A Comédia Latino-Americana, da Ultralíricos (Sesc Vila Mariana, de 07/10 a 13/11) Leite Derramado, da Club Noir (Sesc Consolação, de 14/10 a 13/11).

As quatro edições do Mirada contaram com um conselho formado pelo diretor do Departamento Regional do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda; pela pesquisadora e educadora Isabel Ortega, brasileira radicada na Espanha; pelo diretor do Teatro Mayor de Bogotá, Ramiro Osório; e pelo diretor artístico do Festival Ibero-Americano de Teatro de Cádiz, Pepe Bablé.

ESPETÁCULOS

Cuando todos pensabam que habíamos desaparecido - Gastronomiaescenica 
MÉXICO - Cia. Vaca 35
17 e 18/9. Sábado, 20h. Domingo, 19h.
Sesc Pompeia | Galpão | 90 min | 14 anos |R$40/ R$20/ R$12
O subtítulo dessa criação coletiva fornece outras pistas para o que virá: gastronomia cênica e teatro documental baseado na comida e na festa dos mortos. Ao contrário do tabu ocidental, na cultura mexicana o Dia de Finados é celebrado com as casas enfeitas e os familiares e amigos preparando os pratos favoritos daqueles que não se encontram mais fisicamente entre eles.

Em vez de cobrir com terra, cravar uma lápide ou perpetuar o silêncio, o espetáculo propõe ao espectador vivenciar um ritual com pitadas de música, canto, dança, humor, ironia, crítica social, violência, máscara e memória dos artistas que, enquanto narram, manejam utensílios, talheres, legumes, verduras e ingredientes para cozinhar sobre uma mesa cenográfica.

O cheiro e tudo mais que se vê e se ouve são reais, as caçarolas, as histórias biográficas, as fotos afixadas num pequeno altar aqui, noutro ali. Mas não faltará margem para os rompantes oníricos. E para esse trabalho não convencional e disposto como uma saudação à vida, o Vaca 35 Teatro em Grupo, formado em 2007, contracena festivamente com criadores espanhóis.

Criação e dramaturgia: Vaca 35 Teatro de Grupo. Direção e desenho de espaço: Damián Cervantes. Com: Diana Magallón, Mari Carmen Ruiz, José Rafael Flores, Maitê Urruta e Irene Caja.Músico: Alejandro Gonzalez. 

¿Que haré yo com esta espada? (Aproximación a la ley y al problema de la belleza  ESPANHA - Angélica Liddell
17 e 18/9. Sábado e domingo, 18h.
Sesc Pinheiros | Teatro Paulo Autran | 270 min (2 intervalos)| 18 anos | R$40/ R$20/ R$12
O trabalho, que estreou no Festival d’Avignon, em julho, parte de dois crimes transcorridos em Paris, em diferentes épocas: o canibalismo do universitário japonês Issei Sagawa, que esquartejou a namorada e declarou tê-lo feito por amor, em 1981, e o terrorismo dos ataques em série que deixaram 130 mortos em 15/11/2015.

Apesar de macabros, a artista catalã Angélica Liddell prospecta em cena uma tomada de consciência da própria existência, uma rebelião contra o racionalismo. Fala em nostalgia do infinito, do inapreensível, do sagrado. E cita Nietzsche: “Como transformar a violência real em poética para nos colocar em contato com a verdadeira natureza, mediante atos contra a natureza?”.

Radicada em Madri e desde 1993 à frente da companhia Atra Bilis (bílis negra), notabilizada pela força performativa, ela delineia a história de uma mulher que deseja se matar (e matar) desde que nasceu, mas transfere à ficção as tendências homicidas. Sua angústia vem do dilema entre a palavra (poesia) e a ação (vida), que parece articular-se sempre no triângulo beleza, erotismo e morte.
Texto, direção, cenografia e figurinos: Angélica Liddell Com: Victoria Aime, Louise Arcangioli, Paola Cabello Schoenmakers, Sarah Cabello Schoenmakers, Lola Cordón, Marie Delgado Trujillo, Greta García, Masanori Kikuzawa, Angelica Lidell, Gumersindo Puche, Estíbaliz Racionero Balsera, Ichiro Sugae, Kazan Tachimoto, Irie Taira e Lucía Yenes Desenho de Luz: Carlos MarquerieDesenho de Som: Antonio Navarro.

No daré hijos, daré versos
URUGUAI - Marianella Morena
20 e 21/9. Terça e quarta-feira, 20h.
Sesc Ipiranga | Teatro | 75 min | 14 anos | R$40/ R$20/ R$12
O drama intercala prosa e canções a partir da vida e da obra da poeta Delmira Agustini (1886-1914), cuja memória e a arte andavam relegadas até ganhar novo alento nos últimos anos. Ela morreu assassinada a tiros pelo ex-marido.
Referência no teatro de pesquisa em seu país, a dramaturga e diretora Marianella Morena compõe três atos em movimentos distintos em gênero e linguagem, do realismo ao hiper-realismo. Questiona a premissa de verdade única borrando o real, a história e a ficção.

Abre com o então casal no quarto, multiplicado por três mulheres e três homens sobre a cama. Em seguida, foca o ambiente familiar da escritora, patriarcal e falso moralista. Por fim, salta para o século XXI, quando uma casa de leilão dispõe lote contendo o revólver do crime, uma gravação confessional e a correspondência inédita de Delmira com um político.

Texto, direção, letras e canções: Marianella Morena Com: Lucía Trentini, Agustín Urrutia, Mané Pérez, Leonardo Noda, Laura Báez e Domingo Milesi Cenografia e figurinos: Johanna BresqueDesenho de luz: Claudia Sánchez Música: Lucía Trentini e Nicolás Rodriguez Mieres Produção: Lucía Etcheverry.

La Contadora de Películas
CHILE - Cia. Teatrocinema
21 e 22/9. Quarta e quinta-feira, 21h.
Sesc Vila Mariana | Teatro | 90 min | 10 anos | R$ 40 / R$ 20 / R$ 12
Não é difícil imaginar as dificuldades de quem vive e trabalha na região das minas de salitre no deserto de Atacama, no norte chileno. Foi lá que o escritor Hernán Rivera Letelier passou a infância e, por isso, escolheu a geografia isolada para ambientar a história de María Margarita no livro lançado em 2009 e adaptado sob mesmo título pela Compañía Teatrocinema, em 2015.

O espetáculo perpassa a infância e a vida adulta da mulher que, por causa do pai inválido, passou a narrar a ele, e depois a outros impossibilitados de ir ao cinema, as aventuras, dramas e comédias a que assistia.

A protagonista chega a ser eleita a melhor contadora de filmes do local. Ela relata, atua, canta, dramatiza e interpreta até epopeias aos operários e familiares.  Com o passar dos anos, os moradores, assim como sal, estão condenados a desaparecer. Mas Margarita resiste com seus fantasmas e fantasias. A Teatrocinema deriva da companhia La Troppa (1987-2006) e é cultuada pela multidimensionalidade da cena ao fundir ator-imagem.

Direção Geral: Sofia Zagal Adaptação: Laura Pizarro, Dauno Totoro, Julián Marras, Montserrat Quezada e Sofia Zagal Com: Laura Pizarro, Sofia Zagal, Christian Aguilera, Daniel Gallo e Fernando Oviedo.

Psico/Embutidos, Carnicería Escénica
MÉXICO - Richard Viqueira
23/9 a 1/10. Terça a sexta, 20h e 20h30. Sábado e domingo, 17h e 17h30.
Sesc Consolação | 120 min | 18 anos | R$40 / R$20 / R$12
Uma instalação cênica replica o aparelho digestivo e propõe uma vivência sensorial ao cumprir essa travessia dentro do organismo vivo. A obra, idealizada e dirigida por Richard Viqueira e encenada pela Cia. Titular de Teatro de la Universidad Veracruzana, deglute os espectadores, estimulados a transitar pela estrutura em diferentes níveis, no limite de 8m, contornando obstáculos até a etapa em que todos são, simbolicamente, expulsos do mecanismo.

O itinerário é feito de encontros com os 19 atores, um a um, cujas idades variam da casa dos 20 aos 30 anos. A instalação funciona tanto no momento da apresentação como após a sessão, como vira uma videoinstalação disponível à visitação nos demais horários de funcionamento da unidade, com telas embrenhadas no esqueleto cenográfico.

Autor e diretor: Richard Viqueira Com: Marisol Osegueda, Gustavo Schaar Prom, Benjamín Castro, Karla Camarillo, Karina Meneses, Freddy Palomec, Marco Rojas, Gema Muñoz, Alba Dominguez, Rogerio Baruch, Féliz Lozano, José Palacios, Raul Santamaría, Hector Moraz, Carlos Ortega, Juana M. Garza, Hosmé Israel, Jorge Castillo, Luz Maria Ordiales. Cenografia e iluminação: Jesús Hernández Conceito de espaço: Jesús Hernández e Richard Viqueira Desenho sonoro e música original: Joaquín Chas (a partir de tema e variações de Wim Mertens)Diretor Artístico: Luis Mario Moncada Gil Assistente de Direção: David Ike Produtor Executivo: Yoruba Romero. PROJETO APOIADO PELO FONDO NACIONAL PARA LA CULTURA Y LAS ARTES DE MÉXICO.
Dínamo
ARGENTINA - Timbre 4
21/9. Quarta-feira, 20h.
Sesc Sorocaba | Teatro
24 e 25/9. Sábado, 21h. Domingo, 18h.
Sesc Bom Retiro | Teatro
70 min | Livre | R$ 40 / R$ 20 / R$ 12
Três mulheres compartilham um trailer perdido em alguma estrada qualquer. Em princípio, elas não sabem da presença das demais. A peça expõe como tanta solidão e estranhamento podem gerar novas energias à vida.

Ada, 70 anos, trabalhou com arte performática e anseia reencontrar o pulso criativo e o amor; Marisa, a sobrinha, a mobiliza em outros sentidos, pois deseja voltar a ser tenista após anos internada devido a alucinações. Harima é imigrante e tenta contatar a família e o filho pequeno que ficaram para trás.

O espetáculo da companhia Cia. Timbre 4 apoia-se, sobretudo, na expressão corporal das atrizes e na música ao vivo.

Texto e direção: Claudio Tolcachir, Lautaro Perotti e Melisa Hermida Com: Daniela Pal, Marta Lubos e Paula Ransenberg Música ao vivo: Joaquin Segade Desenho de luz: Ricardo SicaDesenho de cenografia: Gonzalo Córdoba Estévez Assistente de Direção: María García De Oteyza Produção: TEATROTIMBRE4, Maxime Seugé, Jonathan Zak.

Lo único que necesita uma gran actriz es uma gran obra y las ganas de triunfar MÉXICO - Cia. Vaca 35
15 e 16/9. Quinta e sexta-feira, 21h.
Sesc Pompeia | Espaço Cênico | 50 min | 16 anos | R$ 40 / R$ 20 / R$ 12
Inspirada na obra As Criadas e em uma frase de Querelle de Brest – “A humildade só pode nascer da humilhação, se não é falsa arrogância” – ambas de Jean Genet, a montagem do grupo mexicano não recorre a um tempo ou estilo determinados. A proposta é que o diálogo entre o espaço e a atriz se dê com a mínima estrutura, justamente para revelar os limites reais e ficcionais do ator, do personagem, do espectador, do espaço e da própria peça dramática.

O espetáculo se articula a partir de dois temais centrais: a vida em sua rotina mecânica e o teatro como espaço de autenticidade em um mundo que tem transformado a arte em mercadoria. Busca através de temais universais investigar a obra de Genet com base na atuação, no teatro como única saída aparente, como a comida, a bebida, a dança ou algum conto de fadas que nos mantém de alguma forma, ou que nos aproxime da devastação dos estereótipos sociais, a marginalização ou a falta de possibilidades de algum tipo de purificação.

Direção: Damián Cervantes Intérpretes: Diana Magallón e Mari Carmen Ruiz

A Tragédia Latino-Americana e a Comédia Latino-Americana. Segunda Parte: A Comédia Latino-Americana
BRASIL - Ultralíricos
07/10 a 13/11 – Quintas, sextas e sábados, às 20h, domingos, às 17h.
Sesc Vila Mariana | Teatro | 240 min | 18 anos | R$ 40 / R$ 20 / R$ 12
O MIRADA fez a estreia nacional da segunda parte desse projeto do diretor Felipe Hirsch (ele transita por Rio, São Paulo e Curitiba) e do coletivo Ultralíricos, com o qual vem trabalhando desde o pontapé da série Puzzle, em 2013, a convite da Feira do Livro de Frankfurt. São três anos de convicção mais experimental e política a reboque de questões como educação, violência, consumo desenfreado e até os recentes protestos pelo país.
A ideia inicial era fazer “uma tragédia um pouco mais carinhosa e a comédia, mais violenta”, no dizer do diretor. E assim deve ser. A música confere um caráter ritual que desdobra em uma espécie de “ópera macabra ou musical farrista”.
Na dramaturgia, fragmentos, adaptações e trechos de narrativas em prosa ou poesia da Argentina (J. P. Zooey, Pablo Katchadjian), Brasil (Lima Barreto, Sousândrade), Chile (María Luisa Bombal), Colômbia (Andrés Caicedo), Cuba (Cabrera Infante), Equador (Pablo Palacio), México (Juan Villoro) e Uruguai (Héctor Galmés e Horacio Quiroga), entre outros. A cenografia é delimitada por enormes blocos de isopor.
Ficha Técnica: Direção Geral Felipe Hirsch Com Caco Ciocler, Caio Blat, Georgette Fadel, Isabel Teixeira, Javier Drolas, Julia Lemmertz e Magali Biff Direção de Arte Daniela Thomas e Felipe Tassara Iluminação Beto Bruel Direção Musical, Música Escrita e Arranjos Arthur de Faria Músicos Ultralíricos Arkestra

Leite Derramado
BRASIL – Club Noir
14/10 a 13/11 - Dias 20 e 30 de outubro não haverá espetáculo.
Quinta a sábado, às 21h, domingos, às 18h.
Sesc Consolação | Teatro | 80 min | 16 anos | R$ 40 / R$ 20 / R$ 12
A cia. Club Noir faz a estreia nacional da adaptação cênica do premiado romance homônimo de Chico Buarque. O livro de 2009 concebe uma visão panorâmica de séculos da história do país, apontando a necessidade urgente de reconstruirmos procedimentos éticos em direção a novas possibilidades de ação política.
Em seu estertor delirante, abandonado numa maca em corredor de hospital público, o protagonista Eulálio Assumpção, de cem anos, é atravessado por um pandemônio no qual ruem as fronteiras que separam mundo interno e mundo externo, passado e presente, memória e imaginação, religião e poder, indivíduo e sociedade, política e mitologia. Ecos de antepassados aristocratas, avô latifundiário escravagista, pai senador corrupto, neto guerrilheiro, bisneto traficante... Perdulário, alienado, contraditório e ora falido, ele se defronta com a precariedade trágica de um sistema construído por uma elite rentista, e inscrita em seu DNA.
O diretor Roberto Alvim preconiza a “imperiosa tarefa de presentificar em nossa brutal contemporaneidade a exata, impossível e transfiguradora mise-en-scène [encenação] da poesia”.
Ficha Técnica: Texto Chico Buarque Adaptação, Direção, Cenografia e Concepção Geral Roberto Alvim Com Juliana Galdino, Renato Forner, Taynã Marquezone, Caio Rocha, Helena Ignez, Luiz Päetow e Diego Machado Iluminação Domingos Quintiliano Figurinos João Pimenta Trilha Sonora Original Vladimir Safatle Cenotecnia e Adereços Fernando Bretas Fotos Edson Kumasaka

INFORMAÇÕES   
ENDEREÇOS UNIDADES SESC


Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185 - Bom Retiro, São Paulo - SP, 01216-000. Telefone: (11) 3332-3600

Consolação

R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo - SP, 01222-020. Telefone: (11) 3234-3000

Ipiranga

R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga, São Paulo - SP, 04203-000. Telefone: (11) 3340-2000

Pinheiros

 R. Paes Leme, 195 - Pinheiros, São Paulo - SP, 05424-150. Telefone: (11) 3095-9400

Pompeia

R. Clélia, 93 - Pompeia, São Paulo - SP, 05042-000. Telefone: (11) 3871-7700

 

Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP, 18030-160. Telefone: (15) 3332-9933

Vila Mariana

R. Pelotas, 141 - Vila Mariana, São Paulo - SP, 04012-000. Telefone: (11) 5080-3000

INGRESSOS

VENDA
Ingressos à venda no Portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades do Sesc.

VALORES
R$ 40 - inteira.
R$ 20 - meia-entrada (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, estudante, pessoa com deficiência e servidor de escola pública e usuário inscrito no Sesc e dependentes).
R$ 12 – credencial plena (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

COMPROVANTE PARA INGRESSOS COM DESCONTO
Credencial Plena do Sesc válida; carteirinha de estudante (Umes, Ubes); carteirinha escolar do ano ou semestre vigente ou comprovante de matrícula ou pagamento da mensalidade; identificação funcional ou holerite para servidores de escola pública; comprovante de aposentadoria; documento de identidade para pessoas maiores de 60 anos.

FORMAS DE PAGAMENTO
Dinheiro, cartões Visa, Visa Eléctron, Mastercard, Maestro, Redeshop, Diners Club International e Vale Cultura (Ticket Cultura, Sodexo e Alelo).

RECOMENDAÇÃO ETÁRIA
Confira antecipadamente a classificação Indicativa de cada atividade.
Nas apresentações que sejam classificadas como não recomendadas para menores de 18 anos, não será admitido o ingresso de menores de 18 anos, mesmo que acompanhados de pais ou responsáveis.

LEGENDAGEM
Os espetáculos internacionais serão apresentados com legendas em português.

MAIS INFORMAÇÕES: sescsp.org.br/mirada

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TEATRO : Cia. Sansacroma dança a loucura em “Sociedade dos Improdutivos”


Fonte: Marcelo Pria 




Cia. Sansacroma dança a loucura em “Sociedade dos Improdutivos”
Espetáculo, em temporada de 15 a 25 de setembro (de quinta a domingo) na Galeria Olido, é fruto de dois anos de pesquisa sobre a loucura e contrapõe o corpo que é socialmente invalidado ao corpo que é socialmente produtivo

Com apresentações de 15 a 25 de setembro; quinta a sábado, às 20h, e domingo às 19h; o espetáculo Sociedade dos Improdutivos, da Cia. Sansacroma tem direção de Gal Martins e é o resultado de dois anos de pesquisa teórica e de campo sobre a loucura.

O questionamento central do espetáculo contrapõe o corpo que é socialmente invalidado ao corpo que é socialmente produtivo. O primeiro é marginal, portador de algum tipo de loucura. O segundo é medicado, incluído e sujeitado ao modo de vida capitalístico – corpo explorado até o esgotamento das suas capacidades produtivas.

Trata-se da invalidez da reprodução. Força invisível chamada de loucura, transcender coletivo. A não-adequação social produtiva. É solidão. É a história, um itinerário da loucura em fusão para um embate contra o capital. O controle ocidental contrapondo a corporeidade do imaginário africano. São vozes potentes, negras, de territórios e seus povoamentos. Um cotidiano dos que estão à margem e dos que não estão.  São vozes da "Sociedade dos Improdutivos".

A pesquisa
O trabalho de pesquisa teórica da companhia foi um consistente estudo sobre a história da loucura no ocidente. De Hieronymus Bosch, Pieter Bruegel, Erasmo de Roterdã, passando pela Nau dos Insensatos, de Sebastian Brant, até o conceito de Biopoder de Michel Foucault, pelo pensamento junguiano que inspira o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira e pelos paradigmas que norteiam a Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial no Brasil.

A pesquisa de campo foi realizada inicialmente através de 12 intervenções artísticas junto aos usuários do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) Jardim Lídia, que fica no Capão Redondo. E se estendeu por meio de um vínculo entre a companhia, os profissionais de saúde e os usuários deste Caps, direcionado a outras atividades artísticas na Fábrica de Cultura Capão Redondo.

Essencialmente implicada com as questões políticas e minoritárias, a companhia observou a maioria de corpos negros e periféricos presentes tanto nos manicômios do passado, quanto nas atuais unidades dos Caps.



Não por acaso, no momento em que a Sansacroma decide imprimir a força de sua negritude e ultrapassar a concepção dominante ocidental sobre a loucura, o encontro com o continente africano acontece pela narrativa da pesquisadora Denise Dias Barros e sua publicação “Itinerários da Loucura em Territórios Dogon” (Casa das Áfricas, 2004). Nesta região do Mali, a vida de cada um se dá na continuidade ancestral e se produz na malha social, constituindo redes de convívio na intersecção entre o mundo invisível e visível.

O recorte coreográfico da etnomedicina Dogon desconstrói o olhar eurocêntrico da loucura e redimensiona o espetáculo. Um novo panorama se abre aos saberes ancestrais. Tradições que interferem diretamente nos procedimentos terapêuticos, criando uma tessitura complexa, onde a figura dos adivinhos, ou marabus, são elementos principais no processo de cura, na reapropriação do si, da saúde, da autonomia e da liberdade.

Do encontro com estes pensamentos e experiências, Gal Martins expõe um dos argumentos que compõem o espetáculo:

“É conveniente manter a sombra oculta e invisível aos olhos de uma sociedade sujeitada a valores de consumo, que legitima enunciados científicos em torno de uma idealização de saúde. Essa perspectiva ocidental, forjada histórica e linguisticamente, extrai a singularidade expressiva e a potência de produção do ‘louco’. O inscreve na vulnerabilidade, no abandono, na miséria e na subjetividade-lixo, que impõem sua dependência aos tratamentos de contenção, ao consumo de medicamentos, substituindo o confinamento do passado, pelos controles farmacológicos e institucionais do presente”.

Deste modo, a poética do espetáculo pretende ultrapassar a mera denúncia ao capitalismo para fomentar empatias marginais e produzir percepções que levam o espectador a vivenciar processos que são humanos, mas que o sistema segregador institui como desvio, sintoma e doença indesejada. Nesta poética, a loucura das pessoas se afirma como potência singular que cria possíveis comuns, as situa num mundo e legitima uma vida.

Estrutura cênica
O espetáculo tem uma estrutura cênica alternativa e sensorial. A música ao vivo e a ocupação numa instalação coreográfica deslocam o público para uma lógica dos sentidos e o retira da lógica do consumo que organiza a vida contemporânea. As sensações e reações motoras dos que assistem, vão compor a dramaturgia do espetáculo.

As estações coreográficas do espetáculo delineiam e revelam o quanto pode ser poderoso o ato de narrar e expressar um sofrimento. Narrativa gestual que se torna um ato de resistência política, afecção sensível e transformação de realidade social.

Sobre a Cia. Sansacroma – Criada em 2002 pela atriz, dançarina e coreógrafa Gal Martins, a Cia. Sansacroma tem se dedicado a desenvolver trabalhos baseados no hibridismo característico às criações coreográficas na contemporaneidade. Sua produção artística focaliza temas pertinentes à sociedade atual, no modo em que chegam e afetam a todos diretamente, seja no cotidiano das ruas, nas relações sociais e interpessoais, na mídia ou na própria arte. A Dança da Indignação, conceito criado pela artista, norteia a pesquisa de linguagem estética da companhia, que pretende reverberar no ato dançante as indignações coletivas, numa abordagem política-poética que aponta para as intersecções entre arte e vida. Tendo feito uma escolha singular ao atuar diretamente na periferia sul de São Paulo, este território influencia diretamente o seu processo artístico. O ponto de partida das criações são as poéticas do corpo negro, que circulam na população dessa região, a qual a companhia chama de indigenordestinafricana.

SERVIÇO:
Espetáculo Sociedade dos Improdutivos
Cia. Sansacroma
Direção: Gal Martins
Espetáculos de 15 a 25 de setembro (de quinta a domingo);
Quintas e sextas, às 20h;
Domingos, às 19h;
No Centro Cultural Olido - Sala Paissandu, Avenida São João, 473, Centro, São Paulo.
Telefones: (11) 3331-8399 ou (11) 3397-0171
Entrada franca (retirada dos ingressos na bilheteria uma hora antes do espetáculo)
Duração: 50 minutos
Classificação etária: 14 anos
Capacidade: 40 lugares

FICHA TÉCNICA

Direção e Concepção: Gal Martins
Intérpretes Criadores: Djalma Moura, Verônica Santos, Ciça Coutinho, Flip Couto,
Érico Santos e Aysha Nascimento
Orientador de Pesquisa e Provocação Cênica: Rodrigo Reis
Orientador de Pesquisa de Campo: Rodrigo Dias
Direção Musical: Cláudio Miranda
Músicos: Melvin Santhana, Fernando Alabê, Camila Alcântara e Clency Santhana
Figurinos e Adereços: Mariana Farcetta
Concepção de Luz: Almir Rosa
Montagem e Operação de Luz: Piu Dominó
Preparação Corporal: Mônica Teodósio, Djalma Moura, Gal Martins e Verônica Santos
Cenotécnico: Fábio Miranda
Ensaiador: Djalma Moura
Direção de Produção: Selene Marinho
Assistente de Produção: Dandara Gomes
Assessoria de Imprensa: Marcelo Dalla Pria (Rhizome Comunicações)
Aproximação com o Público: Ciça Coutinho e Dandara Gomes
Fotografia: Raphael Poesia
Colaboradores: Denise Dias Barros
Agradecimentos: Caps Jd.Lídia, Secretária Municipal de Saúde e Valéria Ribeiro

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