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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Associação Cachuera! lança Livro, CD e DVD NESTE SÁBADO NA PUC




Fonte: Lau Francisco 

Iniciativa faz parte do “Edições Acervo Cachuera!”. Projeto é uma parceria com a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, de Minas Gerais

Reinado é uma tradição do catolicismo afro-brasileiro que historicamente desenvolve-se em estreita relação com as Irmandades Negras de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e outros patronos de devoção negra. Um conhecimento preservado por comunidades cujas raízes estão fincadas nas matrizes africanas, presentes em vários locais do Brasil e, em especial, no Estado de Minas Gerais. A Associação Cultural Cachuera!, entidade sem fins lucrativos de São Paulo que se dedica à documentação e divulgação das culturas populares e tradicionais brasileiras, e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, lançam no dia 25 de abril de 2015, sábado, a partir das 15h, no Espaço Cachuera! (Rua Monte Alegre 1094, Perdizes, SP e na PUC-SP - Rua Monte Alegre, 984), o Livro/CD/DVD “O Reinado da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá”. A obra trata desta irmandade, guardiã das tradições do Congo e do Moçambique.

Segundo de uma série de 3 obras, ela foi realizada numa parceria entre Cachuera! e a Irmandade do Jatobá com o patrocínio da Petrobras, através da Lei de Incentivo à Cultura (Governo Federal/MinC) e integra o projeto “Edições Acervo Cachuera!”, que também apresenta kits com livro/CD/DVD sobre o Jongo do bairro Tamandaré, de Guaratinguetá-SP, lançado em 2013, e o Batuque de Umbigada presente em cidades do interior do Estado de São Paulo, a ser lançado ainda em 2015, ambos tratando igualmente das tradições culturais afro-brasileiras.





Durante o evento de lançamento em São Paulo haverá um roda de conversa com membros da Irmandade do Jatobá, realizadores do projeto e pesquisadores, onde o tema prioritário será a transmissão da tradição do Reinado entre gerações; em seguida, haverá um cortejo pelas ruas do bairro de Perdizes com as guardas de Congo e Moçambique da Irmandade. O novo livro/CD/DVD, que estará à venda para o público em geral durante o evento, visa apresentar aos leitores o universo desta comunidade mineira por meio da tecelagem de diferentes registros. A irmandade, formada por cerca de 150 pessoas, mantém a tradição do Reinado há mais de 130 anos. As narrativas históricas, depoimentos e reflexões dos reis, rainhas, capitães, músicos e dançantes sobre a Irmandade e seu Reinado trançam-se à teia mais ampla da história das relações entre o Brasil e a África, marcada pela exploração escravista do Atlântico, destacando a força e a importância histórica, social e cultural das confrarias negras católicas no estado de Minas Gerais, assim como a vitalidade e a riqueza de suas formas de expressão de matriz africana banto. “A obra é fruto de uma profunda pesquisa e de duas décadas de convívio, amizade e trabalho com pessoas que guardam consigo preciosos conhecimentos ancestrais”, explica Paulo Dias, presidente da Associação Cultural Cachuera!, coordenador do projeto e um dos organizadores do livro, CD e DVD.

Junto aos textos, escritos colaborativamente por irmãos do Jatobá e por pesquisadores, o livro de 224 páginas apresenta uma importante seleção de fotografias, mapas, iconografa e documentos históricos, além de ilustrações realizadas por pessoas da comunidade. Ele traz informações sobre a presença dos africanos e seus descendentes no Brasil em um aspecto geral e, em particular, Minas Gerais, onde a tradição do Reinado e do Congado é recorrente – há centenas de grupos em atividade por todo o Estado. A chegada dos negros à região, sua distribuição na cidade, histórias do cativeiro e da libertação, os estigmas da discriminação racial e da exclusão social que até hoje marcam o cotidiano de comunidades negras, suas práticas culturais herdadas dos antepassados africanos, suas festividades, sua fé, seus anseios e revoltas.

As músicas que compõem o CD encartado no livro trazem a voz de mestres do passado e da atualidade, constituindo parte de um registro de diferentes gerações de membros da Irmandade num período de quase 20 anos (1992-2011). Já o videodocumentário “Contas do Rosário” dá a conhecer parte dos rituais da Festa de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá realizada em 2011 e 2013. A iniciativa do projeto deixará um legado: a instalação de um Centro de Memória na sede da Irmandade, equipado com computadores, aparelhos leitores de áudio e vídeo, totalmente mobiliados e adequados para o arquivamento de um acervo audiovisual doado pela Cachuera!, contendo registros da Irmandade gravados ao longo de mais de 20 anos de trabalhos de campo.

O acervo será gerido pelos próprios componentes da comunidade, que serão capacitados por intermédio de cursos de gestão de acervos audiovisuais para atendimento ao público em geral, escolas e pesquisadores. “Os livros/CDs/DVDs desta série são como um estopim para que os integrantes destas comunidades se tornem protagonistas de suas próprias histórias, a ponto deles não precisarem mais de ações como estas”, diz Paulo. Os kits livro-CD-DVD do projeto Edições Acervo Cachuera! vêm atender aos objetivos das leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008, de introduzir no currículo das escolas brasileiras a história dos povos africanos e indígenas que formaram a sociedade brasileira, cujo protagonismo histórico é normalmente ocultado pela historiografia “oficial”. O material será distribuído gratuitamente a instituições de ensino e cultura, principalmente aquelas situadas nas cidades onde se localizam as comunidades retratadas.

O que é o Reinado| Congado
Reinado é uma tradição que tem como núcleos rituais o culto a Nossa Senhora do Rosário e demais devoções católicas negras e a manutenção de representantes de linhagens ancestrais africanas na diáspora, os Reis Congos, o que representa uma face importante da religiosidade banto-africana - o culto aos antepassados. Portanto,  o Reinado pode ser visto como uma versão do catolicismo com face negra, ou seja,   o catolicismo reinterpretado pela ótica de concepções religiosas africanas. A palavra Congado diz respeito à atividade   (ou coletivo) dos diferentes grupos rituais, que conduzem grandes celebrações públicas anuais em torno dos padroeiros das irmandades negras (Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora das Mercês) e do reinado (Reis Congos e outras majestades).   Cada etapa ou ocasião da festa - cortejos, missas, coroações de reis e outros ritos  - é marcada por cantos específicos, os quais atuam em complementaridade com uma variedade de coreografias e toques de tambor.  A importância das Irmandades negras foi muito grande no Brasil colonial, pois foi a filiação a essas instituições leigas católicas que permitiu aos africanos e seus descendentes escravizados uma participação na vida social, atuando estas como verdadeiras mediadoras dos interesses políticos, das articulações religiosas e das formas de expressão dos negros junto à intolerante sociedade escravista.

Com grande vitalidade, as festas de reinado e congado reúnem milhares de devotos e se realizam em inúmeras localidades mineiras, inclusive na região metropolitana de Belo Horizonte. A variedade de tipos de grupo no congado mineiro deve-se, talvez, ao fato de terem existido em Minas Gerais irmandades negras separadas por povos ou por regiões da África: povos vindos da região do Congo se uniam e formavam uma irmandade; o mesmo ocorria com povos vindos da região de Moçambique ou de Angola. Essa diversidade de povos, originários de lugares diferentes, contribuiu para a grande variedade de instrumentos musicais africanos presentes no Brasil, como é o caso dos tambores confeccionados com troncos de árvores, semelhantes aos da região do Congo e de Angola, e dos chocalhos de tornozelo, chamados de gungas, vindos de Moçambique. Em Minas Gerais, o congado é o conjunto constituído pelos diferentes tipos de guardas ou grupos de cortejo que, nas grandes festas religiosas, têm por função conduzir os rituais com seus cânticos, danças e batidos (toques) de tambor, nas ruas, diante das casas ou no interior de capelas e igrejas. A palavra congado diz respeito também à maneira como as guardas se relacionam, à divisão de funções rituais e às relações de hierarquia entre elas.
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Quem é a Associação Cultural Cachuera!
Fundada em 1997 e sediada na cidade de São Paulo, a Associação Cultural Cachuera! realiza a pesquisa, o registro, a divulgação e a reflexão sobre as culturas populares tradicionais do Brasil, com ênfase nas manifestações afro-brasileiras do Sudeste, buscando a valorização destas tradições na sociedade, especialmente nos meios educacionais. Ela mantém um acervo audiovisual de referência sobre cultura popular, resultado de diversas pesquisas decampo realizadas desde 1988. O Acervo Cachuera! está disponível para consulta pública gratuita na sede da associação. Uma das formas de a Cachuera! levar ao público o resultado de suas atividades é através da realização de documentários em vídeo, CDs e livros. Parte da tiragem, ou da renda obtida com produtos que constam no catálogo da Cachuera! (livros e CDs), é revertida às comunidades. Outro caminho encontrado para divulgar e refletir sobre manifestações artísticas apartadas do mercado cultural é através da realização de eventos. No Espaço Cachuera!, sede da Associação, são realizadas regularmente apresentações de música popular tradicional, popular
urbana e erudita, a fim de promover possíveis diálogos entre estes diferentes universos artísticos, além de oficinas com mestres da tradição, palestras e debates gratuitos ou a preços populares. A Associação também tem organizado eventos de cultura popular tradicional fora de sua sede, em teatros e bibliotecas públicas, além de projetos em parceria com comunidades. Pelo conjunto de suas ações, em 2007 a Cachuera! foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural e com o Prêmio Culturas Populares, ambos concedidos pelo Ministério da Cultura/Governo Federal.
Serviço

Lançamento do Livro/CD/DVD “O Reinado da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá”
224 páginas | CD: 38 faixas | DVD: 57 minutos 
Dia: 25 de abril de 2015, sábado
Onde: PUC-SP - Rua Monte Alegre, 984 | Espaço Cachuera! – Rua Monte Alegre, 1.094 – Perdizes
Programação: na PUC-SP 15h - Exibição do documentário Contas do Rosário (auditório 239) - 16h - Roda de conversa sobre o projeto EAC
17h 30 - Apresentação dos grupos (Pátio da Cruz) e cortejo pelas ruas de Perdizes, em direção ao Espaço Cachuera!
no Espaço Cachuera!
19h - Confraternização
Preço: ENTRADA FRANCA
Informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br

FABIANA COZZA E RENATO BRAZ - SESC BELENZINHO


Fonte/Fotos: Sesc Divulgação

Nos dias 24 e 25 de abril, sexta-feira e sábado, às 21h, no Teatro do Sesc Belenzinho, Renato Braz e Fabiana Cozza realizam uma homenagem a Victor Jara, compositor, poeta e ativista político morto em 1973 pelo regime chileno de Augusto Pinochet. A dupla apresenta releituras musicais em um show que conta com a direção do peruano Sergio Valdeos. A apresentação inclui ainda a participação da cantora e atriz chilena Annie Murath, conhecida diretora e professora de canto para teatro em seu país.


            O cantor paulistano Renato Braz é uma das grandes referências no atual cenário da música brasileira com cinco álbuns na carreia. A cantora Fabiana Cozza, de apenas 17 anos, também possui cinco discos e já passou pelo teatro e dança. Os músicos recebem apoio de Sergio Valdeos (violão), Gabriel Levy (acordeon), Celso Marques (sax e flautas), Fi Maróstica (contrabaixo) e Beto Angerosa (percussão) nos palcos para reproduzir o repertório de um dos artistas fundamentais na cultura musical e latino-americana do século XX.

Renato Braz e Fabiana Cozza
Sexta-feira, 24 e sábado, 25, às 21h
Sesc Belenzinho – Endereço: Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho – São Paulo/SP
Telefone: (11) 2076-9700
Duração: 1h30.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Teatro (392 lugares – acesso para pessoas com deficiência)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

“Cartas a Madame Satã ou eu me desespero sem notícias suas”, espetáculo dos Crespos, ganha nova temporada em São Paulo


Fonte: Lau Francisco

Em seu quarto, um homem negro se corresponde com a figura mítica de Madame Satã. Fragmentos de histórias revelam, através das cartas, trajetórias e casos de amor, numa cidade-país carregada de doenças, que mantém sob cárcere privado um jovem apaixonado. O espetáculo Cartas à Madame Satã ou me desespero sem notícias suas”, da Cia. Os Crespos, realiza as últimas apresentações do ano de 6 a 16 de abril de 2015, segunda à quinta, às 21h, no Teatro Casa Livre (Rua Pirineus,107, Metro Marechal Deodoro). A peça conta com a direção de Lucélia Sergio, dramaturgia de José Fernando de Azevedo e interpretação de Sidney Santiago Kuanza, com colaborações em vídeo dos atores Vitor Bassi e Luis Navarro. O espetáculo dá prosseguimento ao projeto “Dos desmanches aos sonhos – Poética em Legítima Defesa”, trabalho que dá prosseguimento a um processo de pesquisa sobre afetividade de mulheres e homens negros




O espetáculo parte da pesquisa sobre a homoafetividade de homens negros, sua sociabilidade diante dos estereótipos sexuais de virilidade que cerceiam sua experiência afetiva. A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza do discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus. São histórias ou pedaços de histórias que ganham vida na pele da personagem (Sidney Santiago), que é um ator, e que portanto pode viver muitas vidas. Ele se corresponde com a figura mítica de Madame Satã, através dessas histórias, ao mesmo tempo que constrói imagens e discursos sobre elas.  A peça é um desenrolar de vestígios de uma sociabilidade cerceada e impressões sobre a construção da identidade desse indivíduo que busca libertar-se de estereótipos sexuais determinantes para sua vida. “Vamos falar do assunto sem nos deixar intimidar pelos tabus, convidando o público para compartilhar momentos de intimidade, tentando entender que o afeto é estruturante e determinante e vai além do que as pessoas se deitam acreditam”, explica Lucélia Sergio.



Para chegar ao resultado deste espetáculo Os Crespos realizaram uma campanha de recebimento de cartas via Internet de homens negros que desejavam contar suas experiências amorosas e sentimentos. Além das cartas recebidas, o grupo também realizou entrevistas coletivas com pelo menos 40 homens nas ruas de São Paulo, casas noturnas, presídios e pontos de encontro do público GLBT e também entrevistas coletivas. As entrevistas foram disparadores na tentativa de flagar nas histórias contadas onde a questão do corpo e a afetividade se cruzam.

A em importância em abordar este assunto parte do princípio de que os homens, principalmente os homens negros, aprendem desde cedo a serem viris, machos e a eles é negado o direito ao afeto. Então, a clandestinidade passa a ser uma saída para o desejo, mas ainda falta o afeto. “Quando o amor não é mais clandestino em suas vidas, esses homens têm que continuar respondendo à estereótipos de hipervirilidade e ao repúdio da sociedade, como se ele tivesse traíndo a raça, a não ser que ele seja a bichinha”, completa Lucélia.

Quem são Os Crespos
“Os Crespos” é um coletivo teatral de pesquisa cênica áudio-visual, debates e intervenções públicas, composto por atores negros. Formou-se na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP e está em atividade desde 2005. Em 2006 estreou com o espetáculo “Anjo Negro”, com direção do alemão Frank Castorf; em 2007 volta ao palco com “Ensaio sobre Carolina”; em 2009 e 2010 apresentou o projeto “A construção da imagem e a imagem construída”; em 2011 estreou “Além do Ponto”, com direção de José Fernando de Azevedo.

Ficha técnica

Direção: Lucélia Sergio Ator criador: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: José Fernando de Azevedo Direção de arte: Antonio Vanfill Trilha Sonora: Dani Nega Direção de Vídeo: Renata Martins Preparação Vocal: Frederico Santiago Preparação Corporal: Janette Santiago Direção de Produção: Eneida de Souza Assistente de Produção: Guilherme Funari Atores colaboradores: Vitor Bassi e Luís Navarro Operador de luz: Aguinaldo Nicoleti
Serviço

Local: Teatro Casa Livre
Rua Pirineus, 107, próx. Metro Marechal Deodoro
Tel:
(11) 3257 6652    Capacidade: 35 lugares
Preço: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia entrada.

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Espetáculo “Outras portas, outras pontes” tem apresentações marcadas em 6 terminais de ônibus urbanos de São Paulo





Fonte: Lau Francisco 


Um olhar sobre o apartheid “gentil” existente no Brasil. Espaços físicos gerando separações de classes em uma cidade miscigenada.  Questões como a herança cultural e identidade do brasileiro. Temas aparentemente difíceis, mas que serão apresentados ao público em forma de dança no meio da multidão frenética em pleno horário de pico em um Terminal de Ônibus. Este é o espetáculo “OUTRAS PORTAS, OUTRAS PONTES”, da Cia Sansacroma, que volta em cartaz em São Paulo, desta vez, em 6 terminais de ônibus urbanos da cidade. As apresentações acontecem nos dias 07 de abril de 2015 no Terminal Capelinha, 09 de abril no Terminal Campo Limpo, 17 de abril no Terminal Parque Dom Pedro, dia 24 de abril no Terminal Pirituba e dia 30 de abril no Terminal Cidade Tiradentes, sempre às 19h, com ENTRADA FRANCA. O espetáculo tem apoio da 15º Edição do Programa do Fomento à Dança.




Com direção artística de Gal Martins (Prêmio Denilto Gomes 2013 na categoria Difusão da Dança, concedido pela Cooperativa Paulista de Dança), direção coreográfica de Yaskara Manzini, e trilha sonora composta pelo multi instrumentista Cláudio Miranda, da banda Poesia Samba Soul e os músicos Zinho Trindade e MC Gaspar, “Outras portas, outras pontes”, que foi criado em comemoração  aos dez anos da Cia. Sansacroma e os cem anos do bairro do Capão Redondo, já cumpriu temporada em diversos bairros periféricos da cidade de São Paulo. O espetáculo, antes concentrado nas ruas do Capão Redondo, extremo sul da cidade, tornou-se itinerante pela própria essência da peça, onde seu processo criativo abrange desde o resgate da ancestralidade africano-nordestina até o olhar sensível sobre as questões político-estéticas que permeiam a cultura periférica, dialogando diretamente com a pesquisa estética atual que a Cia vem desenvolvendo a cerca de dois anos que Gal Martins nomeia de: “Dança da Indignação”. Nesse processo, as indignações identificadas partiram principalmente dos espaços urbanos e comuns aos próprios bailarinos, moradores de regiões periféricas da cidade, lugares onde emergem causas e bandeiras sociais, políticas e poéticas. Segundo Martins, é na rua que essas indignações brotam, e onde as pessoas têm a possibilidade de gritar e expurgá-las. "Fazer o espetáculo em um espaço como este trás a possibilidade de transcender e mudar a rotina de um espaço público de grande movimentação e que concentra muitos anseios, afinal estamos levando até os trabalhadores uma poética que vai de encontro com sua realidade e rotina, o espetáculo rasga o espaço", explica Gal Martins.





A itinerância do espetáculo surge da necessidade de traçar uma trajetória dramaturgia da história do bairro do Capão Redondo, mas principalmente como essa história dissipa e dialoga com a questão do apartheid social, fazendo assim uma relação com o apartheid da Africa do Sul, local e situação de onde surge a lenda do pássaro que dá nome a Cia – Sansakroma - , uma espécie de gavião que protegia as crianças sul africanas nos massacres provocados pelo Apartheid.
Tendo como inspiração as ações e atitudes de Nelson Mandela, a Cia Sansacroma pretende combinar a tradição da cultura sul-africana e identidade do bairro do Capão Redondo com o cosmopolitismo e abertura para novas possibilidades na emergência para a contemporaneidade desses dois lugares que por tanto tempo ficou relegado às margens da história, cada um em sua particularidade.


FICHA TÉCNICA

Direção Geral e Concepção: Gal Martins
Direção Coreográfica: Yáskara Manzini
Interpretes Criadores:Djalma Moura, Ciça Coutinho,Verônica Santos, Erico Santos e Lucas Lopes
Participações especiais: Munique Mendes e Mônica Teodosio
Preparação Corporal: Edson Fernandes, Luciane Ramos e Francisco Silvino
Trilha Sonora: Cláudio Miranda, Zinho Trindade e Mc Gaspar
Operação de Som: Lucas Pereira
Figurino e Adereços: Mariana Farcetta
Direção de Produção: Selene Marinho
Assistente de Produção: Dandara Gomes
Produção: Radar Cultural Gestão e Projetos
Coordenação do projeto de AproximAção com o Público: Ciça Coutinho e Dandara Gomes
Duração: 60 minutos

Serviço
Outras portas, outras pontes
07 de abril de 2015 – Terminal Capelinha - (Av. Estrada de Itapecerica 3228 e Av. Carlos Calderas Fº s/n)
09 de abril de 2015 – Terminal Campo Limpo – (Rua Campina Grande 46)
17 de abril de 2015 – Terminal Parque Dom Pedro – (Av. do Estado s/n)
24 de abril de 2015 – Terminal Pirituba – (Arcangelica nº 2)
30 de abril de 2015 – Terminal Cidade Tiradentes – (Av. Souza Ramos/Rua dos Têxteis)
Entrada Franca, sempre às 19h